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Confira nesse sábado, no Jornal A TARDE

Não percam o Caderno Futuro da Ãgua que será veiculado nesse sábado junto com o seu Jornal A TARDE. Vejam a capa do caderno!

Capa do Caderno - 12/12/2009

Capa do Caderno - 12/12/2009

O que falta nessa imagem? Consciência

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Transposição do Rio São Francisco motiva discussões e disputa política

Rio São Francisco

 Protagonista da tragédia brasileira da seca histórica e crônica, o Nordeste foi palco das discussões acirradas em torno da proposta de Transposição das Ãguas do Rio São Francisco para as regiões mais áridas. Ponto polêmico que mais gerou debate político do que técnico e científico. A ideia de transpor as águas do Velho Chico já data dos tempos do Império e retomaram força na gestão de Fernando Henrique Cardoso, com a assinatura do documento “Compromisso pela Vida do São Franciscoâ€, propondo a revitalização do rio e a construção de canais de transposição, além da transposição do Rio Tocantins para o Rio São Francisco.

 A pauta não avançou muito e seguiu em frente pela gestão de Luis Inácio Lula da Silva, onde teve maior espaço para polêmica. Estudos foram realizados e deram origem ao Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional. A matéria foi aprovada pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Antes disso, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) considerou que as águas só seriam utilizadas fora da bacia em casos de escassez comprovada e para consumo humano. A observação veio do fato de que o rio já se encontra bastante degradado e a  disputa jurídica segue.

 O movimento social buscou diferentes formas de articulação e oposição no início do projeto, considerando seu estado de desgaste e não apostando na transposição como melhor modelo de sanar os problemas da seca nordestina. O tema foi amplamente discutido em espaços, como o Fórum Social Nordestino e o Fórum Social Mundial, além de seminários e audiências públicas entre diferentes espaços de reflexão e articulação política. O gesto emblemático de contraposição à proposta do governo foi a greve de fome do frei Luiz Cappio, da diocese da Barra, na Bahia, que se deu duas vezes em dois anos na tentativa de diálogo com o governo Lula. O bispo deu visibilidade à luta de muitos e procurava demonstrar para o poder público e para a sociedade o equívoco do projeto, que beneficiaria apenas 4% da população do campo (dados da Comissão Pastoral da Terra – CPT).

 O assunto está silencioso na pauta, embora ainda cause incômodo no movimento social. De acordo com Renato Cunha, coordenador do Grupo Ambiental da Bahia (Gambá), organização não-governamental pioneira nas discussões sobre meio ambiente no estado, a sociedade civil está observando quais serão os rumos do projeto para reaquecer a luta. “Estamos aguardando para ver o que acontece a fim de reestruturar a atuação. O debate sobre a transposição e a forma como ela deverá acontecer não pode ser esquecido nem silenciado†conclui o ativista.

Entre abundância e escassez: os dois lados da mesma moeda

 

O Brasil detém 12% da água doce mundial, o que nos garante abundância em algumas regiões, mas completa escassez em outras

O Brasil detém 12% da água doce mundial, o que nos garante abundância em algumas regiões, mas completa escassez em outras

 Nós simplesmente possuímos 12% da água superficial terrestre. É muito nesses tempos que indicam escassez desse líquido tão poderoso e vital. Nesse contexto, a Amazônia se destaca com seus grandes rios, regiões inteiras encharcadas, chuvas abundantes e densidade demográfica bastante baixa. Por outro lado, quando nos aproximamos mais do centro e do litoral brasileiro, a população aumenta junto com a demanda de água. E a oferta, para o lado de cá, não é tão vasta assim. Mas para o Nordeste então, a coisa complica e aí temos uma das regiões de maior estresse pela água não somente do Brasil, mas do próprio continente e do mundo, gerando mazelas sociais graves, ainda não superadas pelas novas gerações. A seca e os longos períodos de estiagem não somente afetam a natureza árida, mas a perspectiva de vida de toda uma população que não vivencia plenamente o direito humano à água. Desafios de uma terra tão grande quanto desigual. Assim como somos.

 Esse País tão rico em água ainda não consegue garantir que esse direito alcance de forma igualitária a todos. Por aqui, apenas 41% das casas são atendidas por rede de abastecimento de água. Desse número, menos da metade (57,4%) possui sistema de coleta de esgoto sanitário. Outro dado é o desperdício dos recursos hídricos desperdiçados em até 30% pelas redes de abastecimento, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. A situação se agrava quando pensamos nos nossos próprios hábitos de consumo e falta de racionalização do uso. Por aqui, a maior parte da água é utilizada na agricultura. A indústria cada vez mais explora a utilização de águas subterrâneas através da abertura de poços artesianos – outro potencial forte de nosso território, mas que demanda estudo e gestão racional.

 No Norte, está localizada a maior bacia hidrográfica da América do Sul, a Bacia Amazônica, cujo potencial hídrico superficial se mostra bastante alto, ampliado pela baixa demanda hidrográfica e pesquisas em torno das águas subterrâneas, promissoras na região por se apresentarem mais frequentemente nos terrenos sedimentares. Mais ao sul, foi descoberto recentemente o Aquífero Guarani, localizado na Bacia Sedimentar do Paraná, com uma área de mais de 1,2 milhão de quilômetro quadrado. Essa verdadeira mina estende-se pelo Brasil (Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) com 840.000 quilômetros quadrados), Paraguai (58.500 quilômetros quadrados), Uruguai (58.500 quilômetros quadrados) e Argentina (255.000 quilômetros quadrados). Estima-se que ele possa conter mais de 40 mil quilômetros cúbicos de água, o que é superior a toda a água contida nos rios e lagos de todo o planeta. Outra riqueza é a Bacia do Rio da Prata, que nasce no Brasil e se expande para terras dos países mais próximos. Do outro lado do País, cá na beira do Atlântico, o Nordeste com seus nove estados partilha apenas 4% da água doce disponível no Brasil.

O que falta nessa imagem? Bom Senso

Bom Senso

Alguns dados

Sei que muitos desses dados já são bastante conhecidos, mas acho que vale a pena relembrar a todos, já que de grande importância ter idéia de quão pouca água temos disponíveis para o consumo.

O planeta Terra tem 3/4 de sua superficie coberta de água, entretanto, só 1% de toda essa água está disponível para nosso consumo diário. 97% está como forma de mares e oceanos, 2% como geleiras e neve.

Desse 1%, encontramos boa parte em aquíferos e águas subtrrâneas. Muito pouco disponíel livremente em rios. E muitos desses, como já vimos nesse blog, completamente poluídos e em uso para quaisquer finalidade.

Do total de água que consumimos:

  • 42% são consumidos na agricultura (por isso o combate ao uso de fertilizantes e agrotóxicos em geral deve ser tão combatido, afinal, volta para a terra e aquíferos, contaminando todo o solo);
  • 39% é usada para gerar eletricidade;
  • 11% usamos em nossas casas, trabalhos e hoteis;
  • 8% em atividades industriais.

Esses números foram encontrados em materiais da Expo Zaragoza 2008, a maior e mais importante reunião global que discutiu sobre a água na capital da província de Aragão, na Espanha, no ano passado.

De fato o mundo tem muita água. Contudo, água potável e disponível para o consumo está cada vez mais escassa e por isso devemos previnir a poluição e o zelar pelo uso racional da mesma.

Esse texto foi enviado por Osvaldo Arruti Lyrio. Publicitário e graduando em administração, ele é um colaborador voluntário do blog Futuro da Ãgua de A TARDE.

Nosso muito obrigado!

OBRIGADA

Nós do Projeto Futuro da Ãgua e todos os alunos das escolas visitadas, os leitores dos cadernos especiais, os internautas que acessam o blog e os ouvintes dos programetes de rádio agradecemos a vocês que nos apoiaram nesse 4º ano do projeto.

Muito obrigado a Petrobrás, Vega, Prefeitura Municipal de Salvador/SECULT, Gambá (Grupo Ambientalista da Bahia) e da Embasa.

Sem vocês esse projeto não seria viável. Vocês provaram que educação ambiental é de suma importância não somente para o futura da água, mas de toda a humanidade.

patrocinadores

Conheça a equipe do Futuro da Ãgua

Pois bem, pessoal! Conheçam a equipe do Projeto Futuro da Ãgua que já visitou 32 escolas em Salvador sem contar com os outros anos, levado palestras sobre educação ambiental com foco nos recursos hídricos e muita diversão para mais de 4.000 crianças. Além disso, o projeto envolve 04 cadernos especiais publicados no jornal A TARDE (01 já veiculado e 03 a serem ainda encartados), este blog e progametes na rádio A TARDE FM.

O próximo caderno especial será veiculado ainda esse mês.Fiquem atentos!

Um abraço,

EQUIPE DO FUTURO DA ÃGUA

Futuro da água na Escola Municipal Syd Porto Brandão

Hoje foi dia de conscientização na Escola Municipal Syd Porto Brandão, em São Rafael, Salvador. Cerca de 180 crianças participaram de uma palestra com José Augusto, da Embasa e, logo em seguida, a brincadeira rolou solta com a palhaça Bolinha. Vejam as fotos, por Aleile Moura.

Bacias Hidrográficas de Salvador

“Por suas características geoclimáticas, de relevo acidentado e umidade elevada, a cidade de Salvador apresenta uma rica rede hidrográfica, diversa em ambientes aquáticos, com rios extensos, originalmente formados por significativas áreas alagadas, dominadas por densa vegetação ripária, abrigo de várias espécies animais e vegetais, tais como aves e répteis, inclusive sucuris e jacarés, este último, praticamente desaparecido. Além disso, registra-se ainda a ocorrência de lagos e lagoas, muitos nas regiões de depressão entre dunas, resultantes da exposição do lençol freático. Todo esse conjunto hídrico compõe as bacias hidrográficas localizadas no Município, as quais podem ser organizadas em, ao menos, dez: Barra, Camurujipe, Cidade Baixa, Cobre, Ipitanga, Jaguaribe, Lucaia, Pituaçu, Pituba e Subúrbio.”

O título deste post e o texto acima retirado do documento “Bacias Hidrográficas no Município de Salvador: Iniciativas de Gestão Integrada”, publicado em outubro de 2006, pela SMA (Superintendência do Meio Ambiente) da prefeitura de Salvador pode estranhar a muitos, inclsuive a mim mesmo quando li o referido documento. Afinal, não vemos tantos rios (quanto mais bacias hidrográficas) e um clima quase intocável quanto o descrito acima. Mas vamos explicar um pouco.

 ”Bacias hidrográficas são regiões  compreendidas entre divisores de água, ou divisores topográficos, que são zonas de elevação, na qual toda a água aí preciptada escoa, pela ação da gravidade, por um único exutório (ponto mais baixo, no limite de u sistema de drenagem)” (Vacabulário básico de recursos naturais e meio ambiente. BRASIL, 2004,).bacias hidrográficas

De acordo com essa definição, o PDDU 2000 de Salvador elencou 10 bacias hidrográficas na capital baiana:

  • Barra (585,9 ha de área, 1,9km de extensão, com  foz na Barra e Ondina);
  • Lucaia (1.396 ha, 5,5km de extensão, com foz no Rio Vermelho);
  • Ptuba (sem área nem extensão definida, mas com foz na Pituba);
  • Camurujipe (4.401 ha, 13,4 km de extensão e tem o Costa Azul como foz);
  • Pituaçu (2.815 ha, 9,4 km de extensão e foz no bairro de mesmo nome);
  • Jaguaribe ( 6.068 ha, 15,2 km de extensão e foz em Jaguaribe);
  • Ipitanga, Cidade Baixa, Subúrbio sem extensõe nem áreas definidas e com fozes nos bairrs de respectivos nomes;
  • Cobre, também sem área nem extensão definidos e com foz no bairro de Pirajá.

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Acontece que o crescimento desordenado da cidade, ações antrópicas direta ou indiretamente ligadas à vida dos rios acabou matando, como já comentei em outros tópicos, diversos rios da cidade.  Ou foram completamente soterrados (como a bacia da Pituba, onde só restou a lagoa) ou poluídos, como a 2ª maior bacia hidrográfica da cidade, a Camurujipe. O resultado é que hoje, temos em Salvador, assim como nas outras grandes cidades brsileiras, pouquíssimas bacias hidrográficas com água poável e que podemos chamá-las de rios.

Comentando sobre o Camurujipe, outro dia com um amigo, não fiquei surpreso com o espanto dele em saber que o esgoto a céu aberto que passa por grande parte da cidade era na verdade um rio. Pelo menos um dia assim foi. Não me surpeendo porque rio, no imaginário comum, é aquele curso d’água que desde a sua nascente até su foz passa por diversas paisagens levando água para molhar as margens e servindo de habitat natural para peixes, anfíbios, répteis e outros seres vivos. Mas o que vemos e um canal concretado por onde passa um líquido escuro, repelto de lixo e com um mal cheiro.

Uma prova do morte dos rios de Salvador é o baixíssimo índice de Oxigênio Dissolvido (OD). Segundo dados do documento do SMA, as bacias da Barra, Lucaia, Pituba, Camurujipe, Pituaçu, Jaguaribe e do Subúrbio apresentam OD menor que 4 mg/L. A bacia do Ipitanga OD entre 4 e 6 mg/L e somente a do Cobre acima de 6 mg/L. A maioria dos seres não sobrevivem com menos de 5 mg/L. Veja abaixo uma tabela de seres e suas respctivas resistências aos níveis de OD.

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Esse texto foi enviado por Osvaldo Arruti Lyrio. Publicitário e graduando em administração, ele é um colaborador voluntário do blog Futuro da Ãgua de A TARDE.